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MCCD: Memória de Cálculo por Computação Digital

A memória de cálculo é o documento que justifica cada espessura, cada solda e cada apoio do seu equipamento. Na MCCD, esse cálculo é feito sobre o modelo 3D completo, com simulação por elementos finitos.

Folha03
AssuntoMCCD
MétodoMEF
Unidademm · MPa

Como funciona

Do modelo 3D à malha de elementos finitos

O método dos elementos finitos divide o equipamento em milhares de pequenos elementos ligados pelos nós. Em cada elemento, as equações de equilíbrio são simples; resolvidas juntas, mostram a tensão, a deformação e a temperatura em qualquer ponto da peça.

O resultado é um mapa de cores em que o azul indica as regiões pouco solicitadas e o vermelho, as mais próximas do limite. Com esse mapa, comparamos cada região com o limite do material para chegar à margem de segurança, apontar os pontos críticos e encontrar material sobrando.

As condições aplicadas no modelo vêm do uso real do equipamento: produto, pressão, temperatura, rotação, apoios, içamento e transporte.

Tanque com malha de elementos finitos

Etapas

Como um projeto passa pela MCCD

  1. 01

    Levantamento

    Recebemos as condições de trabalho: volume, pressão, temperatura, produto, rotação e exigências do seu cliente.

  2. 02

    Modelagem e desenho

    Modelamos o equipamento em 3D e geramos os desenhos de conjunto e de detalhe.

  3. 03

    Malha e cargas

    Dividimos o modelo em elementos finitos e definimos apoios, cargas e o material de cada componente, inclusive laminados de PRFV.

  4. 04

    Simulação

    Calculamos tensões, deformações, frequências naturais e temperaturas, e refinamos a malha até o resultado convergir.

  5. 05

    Otimização

    Ajustamos espessuras e reforços até a margem de segurança definida, com o mínimo de material.

  6. 06

    Entrega

    Desenhos de fabricação, memorial de cálculo e mapa de pontos críticos para a manutenção.

Conteúdo do memorial

O que vem escrito na MCCD

O memorial segue uma ordem fixa, para que qualquer engenheiro encontre a informação que procura. Ele acompanha os desenhos e é revisado junto com eles.

Cada estudo pode ser feito na plataforma mais adequada; no final, todos os resultados são reunidos num único memorial.

O memorial deve ser conferido pelo engenheiro responsável pela fabricação, que emite a ART do equipamento. Os resultados valem para o equipamento fabricado 100% conforme o projeto. Escopo e responsabilidade.
Para vasos de pressão enquadrados na NR-13, a documentação de projeto faz parte do prontuário do equipamento.

Índice típico do memorial

MCCD
  1. Objetivo e descrição do equipamento
  2. Normas e referências adotadas
  3. Dados de projeto: volume, pressão, temperatura, produto, rotação
  4. Materiais e tensões admissíveis
  5. Modelo: geometria, malha e convergência
  6. Condições de contorno e casos de carga
  7. Resultados: tensões, deslocamentos, frequências, temperaturas
  8. Verificações e fator de segurança por componente
  9. Pontos críticos e recomendações de manutenção
  10. Estimativa de vida útil, quando aplicável
  11. Conclusão e histórico de revisões

Teste de convergência

Como sabemos que o número está certo

Com elementos grandes demais, a simulação subestima a tensão justamente onde importa: em furos, cantos e soldas. Por isso refinamos a malha até o valor parar de mudar e, quando existe, comparamos com uma solução analítica.

Mapa de tensões em chapa com furo central
Chapa com furo, 300 × 120 mm, furo de 32 mm, tração de 10 MPa. A tensão triplica na borda do furo: é a concentração de tensões.
Gráfico de convergência
Seis malhas, do grosseiro ao fino. Com cerca de 2 mil graus de liberdade, o resultado foi 27,4 MPa. Com 66 mil, 32,9 MPa, a menos de 1% da fórmula de Heywood (32,7 MPa). A malha grosseira teria escondido 17% da tensão real.

Memorial demonstrativo

Tanque vertical de 10.000 L para leite

Um trecho de memorial calculado nesta página com fórmulas clássicas de projeto. Altere os dados e veja tudo se recalcular. É um exemplo didático de pré-dimensionamento e não substitui o memorial de um projeto real.

Dados de projeto

Caso demonstrativo
mm
mm
mm
mm
kg/m³
kg
mm

Material AISI 304 (tensão admissível 138 MPa, ASME II-D à temperatura ambiente), eficiência de junta 0,85, tampos torisféricos tipo Klöpper, pernas em tubo Ø 101,6 × 3 mm engastadas no costado e livres no piso (K = 2).

1 · Volumes e massas

2 · Pressão hidrostática e tensão no costado

p = ρ · g · h   ·   σθ = p · R / t   ·   t mín = p · R / (S · E − 0,6 · p)

3 · Pernas: carga e flambagem

Carga por perna = m · g / n   ·   λ = K·L / r   ·   Euler: Pcr = π²·E·I / (K·L)²   ·   Johnson se λ < Cc

4 · Conclusão

Tanque com mapa de tensões, destacando a junção das pernas com o costado
Visualização ilustrativa: as maiores tensões aparecem onde as pernas transmitem a carga para o costado fino.

O que o cálculo à mão não mostra

As fórmulas acima tratam o costado como uma casca perfeita sob pressão uniforme. Elas não enxergam a tensão local onde a perna encontra a chapa fina, o efeito do agitador na tampa nem a concentração de tensões nos bocais.

É ali que a simulação por elementos finitos faz diferença. No mesmo tanque em que o costado trabalha com menos de 10% da tensão admissível, a junção perna × costado pode ser o ponto que define a espessura da chapa de reforço.

Outro caso que só aparece quando se olha o equipamento inteiro: um respiro obstruído durante o esvaziamento ou a limpeza pode gerar vácuo, e um costado fino projetado só para a pressão do produto pode amassar.

Quer o memorial completo do seu equipamento?

Enviamos o escopo da MCCD com prazo e valor a partir do seu desenho ou croqui.